VERSÃO E FICÇÕES: O SEQUESTRO DA HISTÓRIA
Autor(es): Daniel Aarão Reis Filho, Elio Gaspari, César Benjamin, Franklin Martins, Vera Sílvia Magalhães, Helena Salem, Paulo Moreira Leite, Jorge Nahas, Marcelo Ridenti, Alipio Freire, Celso Horta, Emir Sader, Consuelo Lins, Idibal Piveta, Izaías Almada, Dulce Muniz e Renato Tapajós.
1997, 232 páginas | Editora: Fundação Perseu Abramo
Reunião de textos sobre a resistência à ditadura militar no Brasil do final dos anos 60 e início dos 70. É a versão de quem viveu e acompanhou aquele momento dramático da história brasileira, em que o governo militar cerceou as liberdades civis e perseguiu violentamente seus opositores. Os autores – entre eles vários dos participantes do seqüestro do embaixador norte-americano em 1969 – dão um testemunho que questiona as versões conciliadoras que estão por detrás de interpretações supostamente “isentas” e “desideologizadas”, como a do filme O que é isso companheiro? “Versões e ficções: o seqüestro da história é guiado por uma preocupação central que o unifica: nem tanto a de restaurar a ‘verdade dos fatos’, como se esta existisse em absoluto, mas pôr em cena versões menos comprometidas com a ‘idealização do passado’.” Ronaldo Vainfas, Jornal do Brasil.
PELA PORTA DOS FUNDOS por Alipio Freire
Quando lançou seu livro O que é isso, companheiro?, Fernando Gabeira colocou-lhe na capa a chancela de depoimento, e dividiu o trabalho em 16 “partes”, e não em capítulos. Nos depoimentos, os juízes ouvem as partes.
Ter como objeto pessoas e fatos reais diferencia o depoimento de qualquer manifestação ficcional, o que compromete o autor com a correspondência da obra à realidade dos fatos e personagens que reporta. No livro, porém, o personagem central é ficcional: o Gabeira personagem é uma figura que nos anos 60 já disporia de formulações críticas que, de fato (historicamente), só viriam a ser elaboradas coletivamente anos depois, como resultado de experiências, reflexões e formulações dos quadros e organizações de esquerda (no Brasil e no exílio), esquerda que o autor tenta desacreditar e desqualificar ao longo do trabaho. Como esse personagem confunde-se com o autor, o narrador e a própria história, o livro torna-se todo ele uma ficção cuja estratégia geral é a de apropriar-se da virtude alheia e, ao mesmo tempo, tentar ridicularizar aqueles de quem espoliou o mérito.
Daniel Aarão Reis Fº em seu artigo “Versões e ficções: a luta pela apropriação da memória” (ver p. 101), observa:
A visão crítica do período, amadurecida coletivamente no longo exílio, é retrospectivamente localizada no fogo mesmo dos acontecimentos, concentrando-se no personagem principal. E, assim, Gabeira/guerrilheiro ressurge descolado da ingenuidade ambiente, reescrito pelo autor com uma superconsciência das tragédias que haveriam de vir.
No filme de Barreto/Serran, a mesma trapaça se construirá na contramão. Defendido publicamente como ficção pelo diretor, numa das seqü.ncias finais, quando o personagem Paulo (Pedro Cardoso), depois do seqüestro, dirige-se a uma casa num bairro de periferia para encontrar Maria (Fernanda Torres) e se detém para olhar, colados nos muros, os cartazes com fotos dos militantes procurados pela repressão, a câmera, sem corte ou trabalho de edição/montagem, vai do rosto de Cardoso (até então Paulo ou eventualmente Fernando, nas cenas iniciais antes do recrutamento) para a foto do cartaz que reproduz o rosto de Cardoso, e sob a qual está escrito “Fernando Gabeira”. Este último plano é tão rápido que não é suficiente enquanto estímulo para que os espectadores tomem consciência do que estava escrito. No entanto, é exatamente esse truque (subliminar) que sagrará definitivamente o filme ficção enquanto depoimento na subjetividade do espectador.
Textos e contextos
Um depoimento legitima-se (torna-se verídico) perante o público a partir da documentação que reúna e/ou pelas reflexões que articula e/ou pela legitimidade do autor. Fernando Gabeira, em seu livro, aposta na terceira alternativa. Para isto e por causa disto seu personagem necessita sempre de um destaque maior do que a participação que realmente teve nos episódios que relata. Pelo mesmo motivo, o filme não pode prescindir de um ficcional-Gabeira dotado de uma superconsciência.
Nossa insistência na discussão da questão documento/ficção deve-se ao fato de que não entendemos o livro como uma peça apenas ou fundamentalmente narcísica, mas como um documento de adesão à transição conservadora que já se anunciava no Brasil no final dos anos 70, quando o livro foi lançado. Uma transição que naquele momento já consumara uma anistia recíproca.
O roteiro/filme não passa de um agiornamentto do livro/argumento, e o colorido radicalizado do primeiro face ao segundo reside fundamentalmente nas possibilidades e necessidades colocadas pelos dois momentos históricos em que se manifestam.
Ainda que, no Brasil, as forças conservadoras tenham mantido sempre o controle da abertura e da transição, o final dos anos 70 assiste a uma grande ascensão do movimento operário, sindical e popular e das camadas médias urbanas, dos quais a esquerda, trazendo consigo a memória (crítica) de todas as fases anteriores das lutas contra a ditadura, ainda disputava a hegemonia (política e ideológica).
O contexto internacional era um mundo ainda bipolarizado pelos EUA e URSS, sob os efeitos da crise do petróleo, e onde a nova política externa de Washington fundava-se nos direitos humanos de Jimmy Carter.
Como hoje, finda aquela bipolaridade, o mundo está globalizado e os mercados de investimento e consumo de cinema — e o Oscar — visados pelo filme ficam acima do Rio Grande e têm suas leis próprias, como a maior força política de esquerda no Brasil tende a zerar a história no final dos anos 70, e o projeto neoliberal e sua implantação no país são presididos por um ex-exilado e cassado, que pede que esqueçam tudo o que ele escreveu antes, o filme pode (e deve) ousar mais. O filme de Barreto/Serran é um manifesto de adesão ao neoliberalismo, ao qual o deputado Gabeira não faz qualquer ressalva.
Os recursos e o método
Como nas concepções fascistizantes das comunicações e artes, o livro privilegia as sombras e os estados de inconsciência, as técnicas de condicionamento e subliminares e a catarse para atingir a subjetividade do leitor pela porta dos fundos. O filme segue seus passos.
Levando-se em conta os tempos de que trata e os recursos literários que mobiliza, o livro/argumento pode ser dividido, grosso modo, em três blocos. O primeiro bloco, cujo tempo real abrange do golpe civil-militar de 1964 até setembro de 1969 e que engloba os 15 primeiros capítulos, estrutura-se fundamentalmente como uma peça do teatro de revista.
Uma série de pequenos sketches por onde circula — como personagem central e costurando-os entre uma piadinha e outra — o ficcional-Gabeira. Os militantes são construídos linearmente enquanto personagens, ao passo que aquele é complexo e profundo. Diferentemente do teatro de revista, o personagem central/estrela está excluído do deboche. O teatro de revista não precisa de heróis. Onde a estrela não se leva a sério, o ficcional- Gabeira é um poço de bom senso e de outras virtudes ao gosto de uma classe média conservadora.
O humor e as insinuações do teatro de revista são geralmente construídos na base da ambigüidade de signos e de silogismos, falsos silogismos e sofismas, onde o terceiro termo (a conclusão) é deixado quase sempre em aberto, a cargo da imaginação já anteriormente induzida do espectador. É nessa estrutura de lógica formal que o autor encaixará algumas formulações da autocrítica da esquerda, manipulando tais formulações e submetendo-as à lógica das palavras, e não à dinâmica dos fatos.
A idéia generalizante de uma esquerda caricata, no livro, é construída cumulativamente, ao longo dos diversos casos que narra. Como no filme, além de tudo, Barreto e Serran dispõem de menos espaço/tempo para sua narrativa, devendo construir a caricatura em poucos episódios, o grotesco se revela mais rapidamente. É também para suprir essa exigüidade de espaço/tempo que eles, por exemplo, recrutam um elenco de comediantes para protagonizar os jovens militantes.
O encantamento dos espelhos
No segundo bloco (capítulo 15, que trata do seqüestro do embaixador Elbrick), consumado o condicionamento do leitor àquela lógica do teatro de revista, a estrutura narrativa do livro se apoiará na idéia do duplo, do simétrico, do simultâneo e do contraponto. É com esse instrumental que o autor passará para o leitor, entre outras, a idéia de que ele e o embaixador são dois iguais
O texto do manifesto dos seqüestradores e duas cartas de Elbrick à esposa são apresentados transcritos (e com idêntico tratamento gráfico — o itálico), o que lhes confere o mesmo nível de realidade e de importância. Além e mais do que apresentar seu personagem e o do embaixador como gente do mesmo coturno, num mesmo movimento, o que Gabeira pretende e diz (sem escrever) é que foi ele o autor do manifesto. A indução é feita também cumulativamente e de vários modos. Destacamos três principais: os militantes da esquerda já tinham sido, no bloco anterior, desqualificados, incapazes portanto de produzir um texto sobre o qual o autor desdobra se em elogios, inclusive sobre seus aspectos formais, quando observa a tentativa (do manifesto)
ainda que não elaborada, de fugir à velha lengalenga da esquerda, aos discursos muito bacharelescos que não atraíam ninguém. Neste sentido, a experiência dos textos dos panfletos que se produziam diariamenteno movimento operário foi aproveitada pelo redator.
(O que é isso, companheiro?, p. 114, editora Codecri, 4ª edição)
Até este ponto do folhetim, Gabeira é o único personagem capaz de transcender tal “lengalenga”. O manifesto é tratado ao longo do capítulo (p. 113 a 115) na primeira pessoa do plural — o que pressupõe diversos autores ou um plural majestático —, e apenas no parágrafo que citamos acima surge, depois de uma enxurrada de sujeitos sem os complementos nominais necessários à clareza do texto ou simplesmente indefinidos, um autor singular: “o redator”. Aliás, uma palavra muito bem escolhida, pois logo abaixo da sua superfície podemos ler “jornalista”. O leitor foi bombardeado desde o primeiro capítulo do livro com a informação de que “Gabeira é jornalista” — “as palavras que se ponham sentido”, diria o Ovo, personagem de Alice no país dos espelhos.
O capítulo coloca ainda o ficcional-Gabeira diante do embaixador como um duplo e simétrico, quando da preocupação de ambos — como cabe aos heróis — com o destino dedamas desprotegidas: o embaixador com o de sua esposa — Elviry — e o ficcional-Gabeira com o de Helena — a fiadora do aparelho onde está cativo Elbrick. Finalmente, como seu duplo simétrico, o embaixador diverge e critica “inteligentemente” a instituição a que serve: neste caso, a política externa do governo norte americano.
O contraponto é utilizado no tratamento da figura de Joaquim Câmara Ferreira — o Toledo. Enquanto o embaixador (da mesma geração de Toledo) tem inteligentes diálogos com o redator-fic-cional-Gabeira, as intervenções de Toledo são todas no sentido de pedir ao último coisas tolas ou descabidas.
A simultaneidade mais importante utilizada é a seguinte: “Enquanto Vera examinava a casa do embaixador em Botafogo, buscávamos [primeira pessoa do plural] em Santa Teresa a casa onde ele ficaria quando seqüestrado.” A construção induz o leitor a pensar que Gabeira já sabia que a casa em Santa Teresa seria alugada para o seqüestro, quando a procurou, embora não o afirme.
Todos sabemos que a casa fora alugada apenas para abrigar uma gráfica do MR-8, sendo a decisão de lá colocar o embaixador tomada de última hora. Em entrevista Helena Salem — transcrita neste livro — Daniel Aarão conta:
O Gabeira (…) só soube o que ia acontecer no próprio dia da ação (…) Ele não teve nenhuma participação na elaboração da ação. (…) Ele nunca teve essa idéia [do seqüestro].
Aliás, em entrevistas (…) ele muitas vezes dava a entender que tinha tido essa idéia e tinha redigido o manifesto, mas depois ele próprio veio a público esclarecer que não.
Será em meio a esse hipnótico jogo de espelhos e deformações da realidade que Barreto e Serran construirão o personagem Renée (Cláudia Abreu) e o episódio da incontinência intestinal do embaixador.
Barreto explica o fato de ter incluído ficcionalmente o problema intestinal porque “a filha do Elbrick (…) me disse que antes de o pai ser seqüestrado ele era um homem muito anal, muito formal, muito frio, distante. (…) Então, veio a idéia da incontinência”. Ora, ainda que levando a sério essa psicologia de botequim (ou será de bistrô?), a necessidade estrutural da cena para a narrativa encontra-se na necessidade do duplo, do simétrico para o desarranjo emocional do ficcional Gabeira que, em outra “licença dramatúrgica”, ameaça explodir acabeça do seu duplo, Elbrick.
O gancho para a criação da personagem Renée, por sua vez, está numa frase do autor do livro (p. 109), referindo-se a uma conversa de Vera Sílvia Magalhães com o segurança do embaixador durante o levantamento que ela fazia da casa: “Vera sentiu no ar que havia sexo e conduziu imediatamente para este lado.” O que a dupla Barreto/Serran extrapola a partir daí é inominável, e a própria Vera Sílvia já respondeu na medida exata o que devia ser dito. Com o telefonema de Renée para seu pai, depois do affaire com o segurança, Barreto e Serran dão sua versão, por meio de um recurso psicologizante — e, portanto, abstraindo e escondendo a questão política e objetiva da ditadura — sobre a opção pela militância feita pelos jovens da época: desajustes e problemas com a família.
Assim como Renée, todos os jovens militantes. Este foi o discurso da ditadura, que patologizava as manifestações de dissidência (fossem os militantes de esquerda, fossem os hippies) e responsabilizava as famílias pelo fato e por seu controle. Cecília Coimbra dedica o capítulo 7, “Um adendo às práticas psicanalíticas: a família e a subversão”, do seu livro Guardiães da ordem, ao estudo dessa questão.
Acompanhando ainda a repressão de então em seus argumentos, Barreto e Serran entendem e nos dizem que a militância daqueles anos se resumia a um punhado de jovens desajustados, manipulados por velhas raposas nada confiáveis (Toledo e Jonas). Daí a necessidade não apenas de se referirem a Toledo nos mesmos moldes do livro (senil), como também o de criarem um Jonas (o comandante da ação, e não por acaso praticamente ausente no livro) psicopata. Isto atende também a requisitos conceituais da modernidade neoliberal, segundo a qual um dirigente revolucionário histórico e um operário revolucionário “são coisas ridículas”, “obsoletas” ou “jurássicas”.
“Humanizando”
A construção da narrativa do terceiro bloco do livro (último capítulo: clandestinidade, prisão, tortura e libertação do personagem central) obedece à estrutura das epopéias, antiga forma gravada (e legitimada) no inconsciente coletivo e que sustenta invisivelmente o texto. É a coroação do herói e a descrição de suas aventuras, descobertas e proezas no caminho de volta ao lar. Mas, aqui, trata-se daquelas epopéias encomendadas por príncipes para louvar seus feitos, e nos quais ele (o príncipe) é o herói, e o poeta a quem se faz a encomenda não passa de um cortesão, geralmente ralo de talento literário, bem como de caráter. Para além disto é que Gabeira inova: o príncipe (que é a transição conservadora) está oculto, e o herói é o personagem de ficção que o leitor deverá supor real e que corresponde ao autor.
Assim, depois do seqüestro, acompanhamos as peripécias do ficcional-Gabeira clandestino no apartamento da professora Ana (RJ), na casa de uma família operária (SP), no aparelho que aluga (SP), sua queda e passagem pelo hospital militar e organismos da repressão — onde se deslumbrará com o lúmpen, medida de todas as coisas — e, por fim, sua saída em troca do embaixador alemão.
Nesse trajeto, o personagem visita todas as classes sociais dominadas e, uma a uma, passa a “humanizálas”, descaracterizando as suas situações, os interesses e papéis sociais e políticos dessas classes. Para tanto, lança mão de uma subliteratura melosa, cuja matriz varia caso a caso. “Humanizadas” as classes, “humaniza-se” também a repressão. Aqui a estratégia segue dois caminhos: primeiro (e outra vez) a técnica cumulativa; segundo, a apresentação da tortura enquanto fruto da razão.
No primeiro caso, trata-se de listar tantos funcionários dos órgãos da repressão e policiais “bonzinhos”, tantos gestos simpáticos que, aquilo que foi a exceção transforma-se em regra, uma vez mesmo que, comparativamente, poucos elementos truculentos são descritos.
No segundo caso — que está imbricado com o primeiro —, a tortura vira exclusivamente uma prática racional. Ora, a face racional da tortura é sua face de política de Estado, decidida na mais alta cúpula do governo que a dirige e a coloca a seu serviço. Mas, como os comandantes civis e militares estão invisíveis no livro e a natureza do regime não é seu objeto, dirigentes e regime ficam absolvidos. A racionalidade, por sua vez, é transferida pelo autor para os porões do regime que, todos sabemos, viviam infestados de psicopatas cujas taras sempre foram colocadas a serviço daquela razão que as estimulou e orientou.
Para ser fiel ao espírito do argumento e obedecer ao espaço/tempo de um filme comercial, a dupla Barreto/ Serran abandona a técnica cumulativa, substituindo-a pelas caricaturas dos dois policiais jovens (Marco Ricca e Maurício Gonçalves), coisa tão óbvia que não nos deteremos sobre ela. Quanto à racionalidade da tortura, o filme acompanha o livro ao pé da letra e ainda fabula com a criação do personagem militar moderado, interpretado por Othon Bastos — outra “licença poética”.
Depois da cena que legitima o filme enquanto depoimento, e à qual já nos referimos, quando o público já identificou e se identificou com o redator-ficcional Gabeira, passamos para a construção final da catarse. Em ritmo de thriller, o personagem é perseguido, baleado e sagrado herói na tortura, desembocando, por fim, na cena cinematográfica e plasticamente mais bem construída do filme: a reconstituição da foto histórica do embarque dos presos trocados pelo embaixador alemão ocidental von Holleben, com direito a Maria (Fernanda Torres) chegando de cadeira de rodas, zoom in, closes e tudo.
E todos choram, purgam suas culpas e saem reconciliados com o mundo e suas consciências — que ficaram penduradas no cabide do saguão e que agora já podem ser outra vez colocadas nas cabeças, como os chapéus.
ALIPIO FREIRE foi militante da Ala Vermelha e esteve preso de 1969 a 1974.
É jornalista e artista plástico. Sobre o período, fez roteiros e dirigiu os vídeos
De amor y de sombra, A todos que lutam e Viva o povo brasileiro.
Organizou um acervo de peças e artesanato realizados nos presídios
políticos de São Paulo pelos que lá passaram entre 1969 e 1979.
Diadema, dezembro de 1996