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Nosso Manifesto parte do princípio de que a História é construída pelos seres humanos e, portanto, pode tomar o rumo que estes quiserem e tiverem condições para fazê-lo; que ela é marcada pela luta de classes; que transformar o mundo é sempre uma possibilidade, mas que isso não se fará apenas como exercício da vontade, através da mera repetição de velhas fórmulas, do mimetismo metodológico, menos ainda por decreto.

E isso tem pautado nossas reflexões, debates, decisões e planejamento durante o último ano, desde as primeiras conversas para organização do Instituto e sua fundação, em junho.

O Instituto Estação Paraíso é um espaço aberto à classe trabalhadora e demais classes exploradas e oprimidas, comprometido com o trabalho militante, político, artístico, literário, memorialista e cultural, focados na confirmação da construção de uma sociedade socialista, igualitária, justa e equitativa.

Um trabalho visando que cidadãos e cidadãs se afirmem como criadores, e expressando através de diferentes linguagens: artísticas, literárias, cinematográficas, jornalísticas, históricas, e outras que sejam necessárias e pertinentes. E que permita o constante pensar e repensar sobre as práticas e teorias elaboradas, através da qual sejam favorecidas e valorizadas as narrativas construídas na luta dos trabalhadores pela transformação do mundo.

No campo das artes, aprofundar os exercícios de criação, desenvolvendo as possibilidades de observações da pintura, do desenho, da colagem, da música, da dança, do teatro, do cinema, do audiovisual, da leitura coletiva, da literatura, etc. Tendo sempre em vista o conhecimento de suas histórias, a percepção de suas determinações políticas sempre existentes, a favor ou contra, do estado estabelecido das coisas, seus autores tendo ou não consciência disso. E que a compreensão e a fruição dos signos e dos discursos encontrados nas expressões artísticas humaniza a existência, não são um item supérfluo na história humana.

No campo do jornalismo, e seu papel na comunicação de massas, é preciso favorecer a compreensão dos objetivos da comunicação jornalística na sociedade e valorizar a produção e difusão dos fatos como ferramenta na luta dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Será preciso também reunir, organizar e preservar a verdade e a memória coletiva como um direito, através do reconhecimento público das histórias e testemunhos, como forma de contrapor as versões oficiais. Isto demanda um trabalho de pesquisa, transmissão e valorização das versões históricas da realidade brasileira que afirmem e resgatem as lutas dos trabalhadores, das trabalhadoras e das demais classes oprimidas e exploradas. Compreendemos que a transformação da realidade depende do conhecimento sobre esta e do envolvimento consciente de todos e de cada um, sem “transferir para outrem – homens ou deuses – o direito de decisão sobre seus destinos, em vez de tomá-los nas próprias mãos”.

No bojo dessas ações de preservação da memória, o Instituto vai organizar, digitalizar, conservar e divulgar o acervo documental de Alipio Freire.

Um trabalho assim, contudo, não se realiza sozinho. Por isso buscaremos parcerias com indivíduos, entidades e movimentos populares, comprometidos com os mesmos valores que defendemos.

Baixe o PDF com a versão completa do Manifesto do Instituto.

Rita Sipahi
Jonathan Constantino
Maiana Freire
Delmar Mattes
Ennio Brauns
Rogério Chaves
Sirlei Augusta Silva
Rogério Mourtada
Maria Elaine Andreoti
Edilson Dias de Moura
Filipe Augusto Peres
Jeomark Roberto
Guida Amaral
Danilo Cesar

HOMENAGEM

COMPANHEIRO ENNIO BRAUNS PRESENTE!

Ennio Brauns, fotógrafo e camarada, partiu hoje à tarde. Foi encontrar Alipio Freire, falar de política e arte, rir e debochar da vida.

E nós ficamos aqui, numa tristeza danada.

Nos últimos tempos, há pelo menos um ano, estávamos juntos no coletivo formado para a criação do Instituto Estação Paraíso.

Ontem, dia 23 de junho, sofreu um infarto poucas horas antes do lançamento da segunda edição do livro que batizou o instituto. Infelizmente não participou da atividade que reuniu a professora Walnice Nogueira Galvão, Edilson Moura, Jonathan Constantino e muita gente boa na histórica MariaAntonia, em São Paulo.

Lá, ontem, não pode assistir ao lançamento do site em homenagem ao Alipio e nosso Instituto. Ele nos ajudou a reunir conteúdos, contatou amigos e amigas em torno do projeto virtual.

Hoje, dia 24, ainda hospitalizado Ennio sofreu outros dois infartos e não resistiu, partiu. Encantado, agora deve mirar suas lentes de outro ângulo.

Ennio Brauns participou ativamente, na Fundação Perseu Abramo, da organização dos livros “Máquinas Paradas, Fotógrafos em Ação” (2017), junto de Adilson Ruiz, e “Movimento Negro Unificado – a resistência nas ruas” (2020), junto de Gevanilda Gomes dos Santos e José Adão de Oliveira.

Além destes livros, Ennio colaborou com outras publicações da FPA. Parte de seu acervo fotográfico está disponível no Centro Sérgio Buarque de Holanda (CSBH).

Obrigado, camarada Ennio, pela companhia e dedicação aos registros fotográficos de tantos momentos históricos das lutas populares.

Que Luzia Cardoso, a companheira de Ennio, e familiares recebam nosso abraço solidário e fraterno. Luto é luta.

Rogério Chaves

Hoje não tem evoé,
As máquinas estão paradas.

Há resistência nas ruas
mas elas ficaram um pouco mais rígidas
sem teu sorriso
teus olhares
na adversidade.

Obrigado
obrigado
obrigado.

Fellipe Augusto Peres


VEJA AQUI um registro primoroso da inauguração da exposição Exposição Imagem-Testemunho realizado por, sempre a postos a construir esse site e tantos outros projetos pensados juntos…
LEIA o relato de Ennio sobre o livro “Máquinas Paradas, Fotógrafos em Ação” (2017)

LANÇAMENTO DO INSTITUTO ESTAÇÃO PARAÍSO 

Ocorrida em 24 de junho de 2022, no auditório do Sindicato dos Jornalistas, a assembleia de criação do Instituto Estação Paraíso contou com diversos companheiros que deixaram seu depoimento para a posteridade. Confira alguns!

Contamos com alguns parceiros importantes para nossa existência:

Expressão Popular

Fundação Perseu Abramo

Sindicato dos Advogados

 

Rita Sipahi
Bacharel em Direito pela Univ. do Recife, em 1964. Ingressou na militância política em 1962, através da JUC e da Ação Popular (AP), integrou o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Ficou presa em 1971 no Presídio Tiradentes,Torre das Donzelas. Admitida em 1973 como servidora da Secretaria Municipal do Bem Estar Social (SP), realizou diversos trabalhos em formação profissional e desenvolvimento de projetos sócio educativos. Participou intensamente da criação do PT. Aposentada, colaborou num escritório de advocacia com atenção para direitos humanos. De 2009 a 2018 integrou a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Desligou-se em virtude do descumprimento constitucional da Lei 10559/02 pelo governo de Jair Bolsonaro. No ano de 2023 foi nomeada pelo Ministro Silvio Almeida, da pasta de Direitos Humanos e Cidadania, como conselheira da Comissão de Anistia reintegrando o Conselho para prestar serviço social, sem qualquer tipo de remuneração.

Jonathan Constantino

É professor do ensino básico e poeta. Formado em Biologia, atua na rede pública municipal de São Paulo (SP) com ensino regular e Educação de Jovens e Adultos. Também desenvolve projetos relacionados à Academia Estudantil de Letras e outros projetos literários. Já trabalhou como professor em outras redes e também como educador popular do CDHEP e na assistência social de Suzano (SP). Escreveu para os periódicos Brasil de Fato, Le Monde Diplomatique Brasil, Mundo e Missão e Missões. Tem um livro de poemas publicado (Uma trincheira entre o mar e os paralelepípedos) e mantém o blog Versos na linha do tempo. Faz parte da Confraria dos Poetas Vermelhos, coletivo de escritores do Ateliê XXII.

Maiana Freire
Educadora e professora do Ensino Fundamental I, apaixonada por História e Literatura Infanto Juvenil.

Delmar Mattes
Participou da Administração democrática popular de Luiza Erundina em São Paulo e foi secretEario municipal de Guarulhos na administração Elói Pietá

Ennio Brauns
Fotógrafo e jornalista autodidata, começou sua atuação como repórter e redator, no jornal O Globo, no Rio de Janeiro, em 1977. Como fotojornalista, documentou as greves de trabalhadores no final dos anos 1970 e meados dos ’80, na região metropolitana de São Paulo, para os jornais Em Tempo e Movimento. Desde a década de 1990 desenvolve projetos de documentação nas áreas da arquitetura, cultura popular, teatro e ambiente urbano. A partir de 2001 vem desenvolvendo um registro sistemático das manifestações LGBT e do relacionamento público, homo afetivo, na cidade de São Paulo.

Rogério Chaves
Formado em Ciências Sociais (PUC-SP), colaborou com várias publicações periódicas de esquerda e progressistas, como o Boletim Nacional e Boletim Linha Direta (ambos do PT). E com as revistas Teoria & Debate e Sem Terra, ambas sob coordenação editorial de Alipio Freire. É membro da executiva do SEEL-SP, sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras em editoras de SP. Atualmente coordena a área editorial da Fundação Perseu Abramo.

Sirlei Augusta Silva
Experiência em administração e finanças, 30 anos de atuação no mundo dos livros.

Rogério Mourtada
É artista visual, professor e pesquisador. Fundou o Ateliê 22 com Alípio Freire, onde desenvolveram juntos diversos estudos, cursos e atividades sobre o universo das artes plásticas, literatura, suas histórias e relações com as disputas políticas na sociedade brasileira.

Maria Elaine Andreoti
Mestre em Literatura Brasileira pela USP e editora de livros.

Edilson Dias de Moura
Pesquisador, professor, crítico literário, editor e autor de materiais didáticos, fez mestrado e doutorado em Literatura Brasileira pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo, instituição em que obteve também o bacharelado e a licenciatura em Língua Portuguesa. Seu campo de pesquisa tem como bases a teoria literária, a semiótica, a historiografia literária, a estética do ato de leitura e a teoria da recepção.

Filipe Augusto Peres
Professor do ensino básico, poeta e jornalista. Formado em Letras, atua na rede pública municipal de Ribeirão Preto (RP) com ensino regular.

É um dos fundadores do Blog O Calçadão, veículo de comunicação popular e progressista de Ribeirão Preto que nasceu da ideia de professores da rede pública em defesa dos direitos sociais. 

Tem fotos publicadas em sites como Brasil de Fato, Mídia Ninja, Jornalistas Livres, Terra de Direitos, Conversa Afiada entre outros. 

Faz parte da Confraria dos Poetas Vermelhos, coletivo de escritores do Ateliê XXII.

Jeomark Roberto
Desenvolvimento de projetos educacionais voltados para audiovisual em escolas, capacitação de educadores e workshops na área. Atua como educador audiovisual com o curso Práticas audiovisuais lúdicas como estratégia de ensino e aprendizagem – EMEI Vicente de Carvalho.

Parceiro educador audiovisual voluntário na UNICEU Pq. Bristol, para estimular os educadores da rede municipal de São Paulo, a refletirem criticamente sobre a linguagem audiovisual, além de instrumentalizar recursos para as diferentes etapas de produção de conteúdo audiovisual, para compartilhar o conhecimento dos meios de produção com os estudantes, potencializando o processo de ensino e aprendizagem.

Elaboração e desenvolvimento de projetos de documentário. Contribui como produtor, roteirista e editor do canal Cumbuca, elaborando produção de vídeo para a plataforma Youtube.

Trabalhou como Orientador de Seção e Técnico Audiovisual do Museu Catavento Cultural e Educacional sendo Chefe de Seção (responsável pelo estúdio de TV e teatro do Museu Catavento Cultural e Educacional).

Foi co-diretor e produtor do documentário Canção Exilada, curta-metragem sobre o cantor e compositor Geraldo Vandré.

Guida Amaral
Assistente social/sanitarista, atualmente mediadora de conflitos. Conheci Alipio em 1969 na militância da Ala Vermelha, uma amizade que durou mais de 50 anos.

Danilo Cesar
Historiador formado pela FFLCH-USP e possui Licenciatura pela FE-USP. Produtor sociocultural independente, formador cultural e gestor de projetos socioculturais, com foco em direitos culturais, memória, difusão artístico-cultural multi-linguagens e direitos humanos em geral. Tem mais de 20 anos de experiência na área sociocultural no Brasil, com destaque para contribuições à comunicação integrada e ao desenvolvimento institucional junto à Secretaria Executiva do Fórum Social Mundial (2001-2003), Rosa Luxemburg Stiftung (2004-2009), jornal Brasil de Fato (2007-2010), Instituto Pólis (2010-2012), ABCE Comunicação Integrada (2012-2013), movimento independente Mães de Maio e Rede Nacional Contra Violência do Estado (2008-2017) e Associação Paulista dos Amigos da Arte (2014-2020).

Em 2020, Danilo foi um dos idealizadores e coordenadores (até o momento) da Rede Apoio Covid, que inclui o Memorial das Vítimas da Covid-19 no Brasil e o Memorial da Despedida. Participou ativamente como integrante dos Fóruns pró Lei Aldir Blanc Estadual e Municipal, tendo apoiado desde a concepção até a execução e atual prestação de contas todo o ciclo da Lei Aldir Blanc 1 (em níveis nacional, estadual e municipais). Idealizador e coordenador da Frente Ampla Cultura SP e da Operativa Nacional dos Comitês da Lei Paulo Gustavo, integra a Operativa Nacional dos Comitês Paulo Gustavo, a partir de abril de 2023 a representando no Conselho de Participação Social da Presidência da República.

Além do Instituto Estação Paraíso, participou da concepção e integra tb o Conselho do Instituto Padre Ticão e Fórum Social da Xona Leste de SP, Instituto Provitima, rede Luto Pela Vida e da Coalizão Nacional Orfandade & Direitos, também da Comissão da Sociedade Civil pró Centenário de Dom Paulo Evaristo Arns e sua Frente Interreligiosa e da iniciativa interdisciplinar de trabalhadores urbanos Brasil 2022.